Tabela SUSEP e pagamentos a menor
A Matemática Oculta da Tabela SUSEP: Por que as seguradoras pagam menos do que deveriam na sua lesão?
Recebeu uma indenização que pareceu muito baixa pela gravidade da sua cirurgia? Entenda como o cálculo proporcional é feito e como pedir revisão.

É uma cena comum nos quartéis e delegacias do DF: o agente sofre uma fratura grave no cotovelo, punho, mão ou tornozelo, passa por cirurgia com colocação de placas ou fios metálicos, enfrenta meses de reabilitação e, ao acionar a seguradora, recebe um depósito muito abaixo do esperado — ou pior, tem o pedido negado sob a justificativa de que “há apenas dor residual, sem perda anatômica”.
Como funciona o cálculo real da Tabela SUSEP?
Toda apólice de acidentes pessoais possui um Capital Segurado Base (que nas apólices recentes de militares pode variar de R$ 180 mil a mais de R$ 215 mil) e uma tabela regressiva onde cada parte do corpo tem um “teto máximo” em caso de perda total.
Por exemplo: na tabela padrão, a perda total do uso de uma das mãos pode corresponder a até 60% do capital, enquanto a anquilose (imobilidade total) de um cotovelo ou tornozelo equivale a 25% do capital segurado.
Quando o médico atesta que você ficou com uma perda funcional parcial de 50% naquela articulação, o cálculo correto é aplicar 50% sobre o teto daquela estrutura específica.
O problema é que, sem uma assessoria técnica, as seguradoras costumam:
- Desconsiderar o percentual atestado pelo seu médico assistente;
- Aplicar redutores arbitrários (enquadrando uma perda de 50% como se fosse de apenas 10% ou 20%);
- Ignorar atualizações recentes no valor do Capital Segurado Base da apólice.
A boa notícia é que o depósito inicial não encerra o seu direito. Através de um requerimento administrativo fundamentado, é possível auditar a memória de cálculo da seguradora e exigir o pagamento complementar da diferença.